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Parques eólicos e solares podem levar chuva e vegetação ao Saara, diz estudo

Uma pesquisa publicada na revista Science sugere que enormes parques de usinas eólicas e solares levariam o dobro de chuvas ao deserto do Saara e melhorariam a vegetação local. A presença das placas solares e dos postes eólicos, diz o estudo, eleva a temperatura da região onde estão instalados, mas em proporção muito menor do que o uso de combustíveis fósseis.

E essa elevação mínima de temperatura, associada a características dos equipamentos, seria positiva para o Saara. Liderada por Yan Li, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, os pesquisadores escolheram o Saara e o Sahel – região entre o deserto e o norte do Sudão – devido ao tamanho do espaço disponível, ausência de população e fornecimento de luz solar e ventos. “Ambas as regiões estão próximas da Europa e do Oriente Médio, áreas com enorme demanda de energia”, diz o estudo. Além disso, “investimentos maciços na geração solar e eólica poderiam promover o desenvolvimento econômico no Sahel, uma das regiões mais pobres do mundo, bem como fornecer energia limpa para a dessalinização e provisão de água para as cidades e a produção de alimentos”.

Enormes parques eólicos e solares foram capazes de alterar o clima do deserto do Saara e do Sahel, aumentando as chuvas e melhorando a cobertura vegetal Os pesquisadores usaram modelos matemáticos, com base em dados coletados na região, para simular os impactos. Estudos anteriores já mostravam que grandes parques de energias renováveis trazem mudanças climáticas positivas para o planeta.

Os resultados de agora apontam efeitos signicativos também na esfera local. Os parques eólicos alteram a temperatura devido às trocas de massas de ar feitas pelas turbinas, que reduzem o ar quente que se represa em cima, levando-o para baixo. A troca de ar associada a um aumento de pressão eleva a umidade e induz o aumento das chuvas. A maior quantidade de chuvas automaticamente leva a um crescimento da cobertura vegetal. O mesmo ocorre com os parques de energia solar, porém por diferentes razões.

As placas solares reduzem a reexão da luz solar (em comparação com a reexão produzida pela areia), causando maior absorção da radiação solar e, por consequência, aquecimento da superfície, o que leva a baixa pressão na região. O resultado também é o aumento da precipitação e da vegetação locais.

“Essas mudanças juntas desencadeiam um feedback positivo de reexão da luz, precipitação e vegetação. Além disso, a vegetação recuperada aumenta a evaporação, o atrito supercial, a cobertura de nuvens e, consequentemente, a precipitação”, pontua o estudo.

Os parques eólicos mostraram um resultado mais positivo no Sahel, enquanto os solares foram mais bemsucedidos no Saara. Juntos, eles causaram mudanças importantes em ambas as partes. No Saara, a combinação provocaria uma elevação na quantidade de chuvas, que passaria de 0,24 mm/dia para 0,59 mm/dia. No Sahel, as precipitações aumentariam de 200 a 500 mm/ano, “o que é suciente para grandes impactos ecológicos, ambientais e sociais”, dizem os pesquisadores.

Outros desertos Apesar dos resultados positivos das simulações no deserto do Saara, não se sabe se o mesmo aconteceria em parques menores. “O impacto mais signicativo ainda está concentrado no Saara e nas regiões vizinhas, enquanto o impacto não é signicativo em muitos outros desertos, devido às suas distribuições geográcas dispersas, tamanhos menores e mudanças mais fracas no poder de reexão da luz”.

Mesmo no Saara, as mudanças dependeriam da localização e distribuição espacial dos parques. No entanto, os pesquisadores destacam os benefícios de investir mais fortemente nas energias renováveis em detrimento das derivadas de combustíveis fósseis.

“Estes resultados indicam que a energia renovável pode ter múltiplos benefícios para o clima e o desenvolvimento sustentável e, portanto, pode ser amplamente adotada como uma solução primária para os desaos da energia global, mudança climática e sustentabilidade ambiental e social”.

Fonte: Ambiente Energia